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Me parecer com Babel ou Abraão? - Gênesis 12: 1 - 3

Por Vinicius Pereira de Oliveira

Recentemente, deparei-me com uma informação extremamente interessante, presente na história de Abraão, em Gênesis, capítulo 12.

¹ Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.

² E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção.

³ E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.


Gênesis 12:1-3

Até esse ponto, o texto nos apresenta apenas a promessa que Deus fez a Abraão. No entanto, para compreender melhor o contexto dessa promessa, é necessário voltar alguns capítulos e analisar a linhagem dos filhos de Noé. Na descendência de Cam, encontramos um nome de grande destaque: Ninrode, associado a territórios da Mesopotâmia, onde surgiram cidades como Nínive, a própria Assíria e Babel.

Babel foi a cidade responsável pela construção de uma grande torre. À primeira vista, o propósito parecia nobre: aproximar o povo de Deus. Contudo, na prática, o verdadeiro objetivo era a exaltação dos próprios arquitetos e engenheiros envolvidos na obra. No discurso, falava-se em aproximação com Deus; na realidade, Deus era deixado de lado, enquanto os líderes buscavam promover a si mesmos.

O resultado foi o oposto do esperado: em vez de unidade, houve confusão e discórdia. Em vez de aproximar o povo de Deus, a construção gerou afastamento. Aqueles que desejavam fama acabaram sendo lembrados como causadores de desordem. Isso é Babel: o esforço humano de alcançar Deus enquanto, na verdade, se busca engrandecer o próprio nome e imagem.

Logo após esse episódio, surge o chamado de Abraão, alguém que vivia na mesma região associada a Babel. Deus chama um homem desse contexto para propor um caminho completamente diferente: não o da exaltação própria, mas o da humildade. A proposta feita a Abraão era clara — que ele diminuísse, para que Deus fosse engrandecido.

Esse princípio ecoa em outras figuras bíblicas, como João Batista, que declarou: “É necessário que Ele cresça e que eu diminua”, e também Maria, mãe de Jesus, que reconheceu a grandeza de Deus acima de si mesma.

Diante disso, surge uma reflexão inevitável: com quem eu quero me parecer? Com Babel, que utilizou o nome de Deus, mas produziu confusão? Ou com Abraão, que viveu para abençoar as próximas gerações e engrandecer o nome de Deus?